7 respostas para Diálogo 6 – Quanto vale a sua foto?

  1. Eron Villar disse:

    Algumas áreas do conhecimento humano e da produção estética vivem alguns dilemas insolúveis: a obra de arte é um elemento estético ou um produto de mercado? Fazer um filme, dirigir um espetáculo de teatro, pintar uma tela por prazer ou para pagar as contas? Ou ainda, a indústria da arte ou a livre expressão do lúdico? Lembro, de Benjamim, da ameaça que a fotografia (ou a reprodutibilidade técnica) trazia para a pintura; o advento do cinema e a ameaça de se extinguir o teatro. E falar deste artigo de Benjamim é lembrar do conceito de ‘aura’. A aura de obra artística está galgada em elementos abstratos que o aproximem do valor mítico e o distancie da concretude material. Foi assim há um século atrás. Será? Para não me alongar muito neste humilde comentário, talvez a busca pelo prazer estético seja inversamente proporcional ao volume da conta bancária, mas um bom profissional, penso, deve encontrar caminhos de manter equilibrada esta balança. Realimentar a alma da boa arte, renovar as idéias, aperfeiçoar sua técnica, imprimir sua assinatura, sua linguagem, certamente irão despertar outros olhos e alavancar o valor de sua obra-produto. Conquistar mercado passa por imprimir respeito. De quem faz e de quem compra. Ao menos deveria ser assim! Vagas impressões, sete saudações!
    Eron Villar
    ator, diretor, iluminador, produtor e amigo!

  2. Ana Lira disse:

    Esse debate é interessante e eu recordo que a pouco mais de um mês o pessoal do Mandacaru Fotoclube realizou uma mesa com este tema na Livraria Cultura. Como eu não pude estar presente, não sei se a abordagem foi a mesma, mas vou convidar o fotógrafo que palestrou para dar uma dialogada aqui com a gente!

    Eron, gosto quando você fala que se deve imprimir respeito e isso deve vir de quem faz e de quem compra. Creio que o desafio de formar tanto fotógrafos quanto público consumidor é uma luta recorrente da qual a gente não deve abrir mão. Caso contrário, todo mundo sai perdendo.

  3. chico peixoto disse:

    lembro bem do meu primeiro trabalho freelancer: 50 mangos pra registrar por quase um dia inteiro uma cavalgada. o corpo ficou desgastado, mas isso – como a gente constata mais adiante – é algo que quase sempre faz parte. o que me deixou um caco mesmo foi concluir que 50 paus nem de longe compensam o desgaste.

    lendo um bocado, trocando ideia com colegas e metendo a cara, a gente aprende que é preciso considerar outras questões antes de pensar no valor da foto em si. não tem como não considerar, por exemplo, tempo de permanência, consumo de energia elétrica, custo de recursos como água e café, deslocamento do fotógrafo e logística do equipamento, eventual uso de assistentes, complexidade do trabalho, dias trabalhados… até depreciação do equipamento fotográfico precisa ser considerado. após colocar tudo isso no papel é que a gente fala em foto e em margem de lucro.

    cliente reclama? reclama. mas acredito que adquirimos argumentos valiosos a partir do momento em que temos consciência do que formata o preço por um trabalho fotográfico. acho importante inclusive aprender a dizer não, a recusar trabalhos, se nao houver alternativa. e outra: estudar e praticar sempre, de modo que possamos ser cada vez melhores naquilo que nos propomos a oferecer e cobrar um preço justo (embora mais “salgado”) sem medo de ser feliz. =)

  4. joanafpires disse:

    Lembro de ter me metido num debate na faculdade por conta de um projeto em parceria com um espaço de exposição. No projeto, os alunos, além de serem responsabilizados pela produção criativa da mostra, deveriam arcar com todos os custos da imagem (impressão, moldura, etc.) que ao final entraria para o acervo do espaço. Em contrapartida, o local da mostra se encarregaria da exposição.
    Fiquei intrigada com essa balança entre a importância de expor e produzir. Achei que o acordo desvalorizava o papel do criador e não quis participar. Quando expus minha opinião sobre o assunto, um dos responsáveis nos apontou o crédito e os direitos legais sobre a imagem como vantagens que seriam garantidas por eles para nós. E aí a gente vê refletida uma prática de desvalorização bem comum, né? Porque crédito e direito de uso da imagem pelo autor não são benefícios, são garantias que não devem sequer ser colocadas em questão. E na realidade, essa prática é bem comum, principalmente para quem tá começando: muita gente oferece o crédito como moeda de troca para usar a fotografia do outro em uma determinada publicação, ou espaço.
    Enfim, realmente é difícil sair desse ciclo sem se meter em algumas confusões porque é muito complicado determinar seu valor se esse valor não foi ainda reconhecido pelo espaço social da fotografia (mercado e outras instâncias de legitimação). Resta a lembrança de que no valor do seu trabalho estão, como já disse Val, inclusos todos os investimentos que você já fez em equipamento, formação, pesquisa, tempo dedicado, etc. É bom realmente pensar com carinho nisso.

    Só por curiosidade: estava dando uma olhada nas estatísticas do blog e vi que alguém chegou até aqui digitando em uma ferramenta de busca a seguinte pergunta: “quanto vale um dia de um fotógrafo”? boa pergunta! 🙂

    • chico peixoto disse:

      “crédito e direito de uso da imagem pelo autor não são benefícios, são garantias que não devem sequer ser colocadas em questão.”

      perfeito, joana.

  5. Ivan Alecrim disse:

    Concordo plenamente.
    Eu sei que o mercado tem problemas, mas não vejo ele apocalíptico ao ponto de querer largar.
    Para dar um orçamento a gente olha a cara do cliente sim, olha quanto tempo vai gastar fotografando, o desgaste do equipamento e do fotógrafo, quantidade de pessoas envolvidas no trabalho, tempo que vai levar para finalizar o material…
    Temos que ver também como essas fotos vão ser usadas.
    “Você quer essas fotos pra guardar numa gaveta ou para ganhar dinheiro com elas?”
    Claro que isso muda o orçamento!
    Tem outro ponto importante. Ter a noção exata do seu valor dentro da fotografia.
    Quanto você, esquanto fotógrafo, faz a fotografia girar, crescer, andar, modificar… Na medida que você é responsável por uma inquietação da linguagem seu “passe valoriza”.
    Para mim é evidente que fotógrafos diferentes têm valores diferentes para o mesmo trabalho. Isso não vai mudar nunca.
    O que temos que pregar é pela ideia do justo. Mensurar o justo vai variar dentro de uma média de mercado.
    Eu já fotografei por um par de pilhas CR2 que custavam os olhos de minha cara (Como fez Chico). E isso é porque eu não tinha ideia do que era fotografar.
    É importante que ter a noção aproximada de nosso valor dentro da categoria. Não o valor de comércio, mas o quanto a fotografia vai perder se você largar ela.
    Isso vai ajudar muito a levantar nossos orçamentos ou vai fazer a gente tentar melhorar para poder subir eles.
    Se um dia você for o fotógrafo de R$500 para um cliente, e ficar a vida inteira jurando que é bom e não investe em você como fotógrafo, no dia que esse sujeito tiver R$5mil para gastar não é você que ele vai procurar.
    Não sei se defendo um cartel, mas concordo que saber a média de mercado ajuda muito em um orçamento. (acho que defendo cartel sim. rarara)
    Temos que nivelar por cima. Nivelar por baixo não tá com nada.

  6. fotoescambo disse:

    O Gilberto Tadday tbm falou com propriedade no saudoso Pictura Pixel:
    http://www.picturapixel.com/?p=1486

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