14 respostas para Diálogo 7 – Qual é a hora de abaixar a máquina?

  1. Foda Pri.
    Eu desisti do jornal na época da faculdade pq meu limite era muito irritantemente pequeno.
    E, por incrível que pareça, acontece de abaixar a câmera também em situações inversas à dor. Mas aí a gente senta no Fernando´s de novo e conversa com uma cerveja 🙂
    beijo!
    Carol

  2. Clelio Tomaz disse:

    Pri,
    Por um acaso da vida estavamos juntos no enterro da jovem assassinada pelo pai ,uma tarde chuvosa de domingo,plantão no começo, e eu que já tinha vindo de uma situação super hostil do enterro do pai,onde não pude fotografar,sem que em momento algum alguem falasse algo para mim,só nos olhares me perseguindo,e ficamos no nosso papel de levar o material para o jornal; minha repórter super constrangida e emocionada.Saio de lá e encontro a familia da vitima no velório e me auto-indago(poxa aqui tá melhor pra fotografar!),mas será q é essa a pergunta mesmo,concordo com você no post,cada pessoa tem seu limite.Contudo alguns mesmo chamados de urubus,carniceiros continuam sem problema algum a fotografar e pasmem procurando novos angulos para retratar a tragédia,afim de levar “a foto”.Tenho sentimentos e me sinto pessimo com esses tipos de situações,mas a profissão é dura,sem piedade a concorrência tá ali do seu lado .e ai!!você vai parar de fotografar?;não, nunca mesmo constrangido.Na situação fiquei até a saída do caixão para a sepultura torcendo que alguém da familia viesse ao meu encontro para dizer a frase mágica: ” A familia pede que não fotografe!”.E foi isso que aconteceu ,e respirei aliviado sai quase correndo do lugar.BELO POST!!!VIDA LONGA AO 7!!!

    • Clelio, a gente inclusive conversou nesse dia sobre como é ruim e difícil fotografar enterro, ne? Mas como você mesmo falou, faz parte da nossa profissão.. cabe a gente fazer isso da forma mais respeitosa possível.. não falo só em relação aos familiares, mas em relação à nós mesmos.. Muito bom teu comentário aqui.. ainda mais por tu ter vivido ao meu lado uma dessas histórias.

  3. chico peixoto disse:

    eu trabalho em assessoria e, naturalmente, minha rotina é um pouco diferente da que encontramos nas redações. mas já participei de ações em comunidades, centros médicos e casa de acolhimento, muitas delas com crianças em situação delicada. “cuidado com o que vai registrar” é a saudação de praxe, às vezes em tom de ameaça, e o trabalho se mostra desafiador. existe a orientação formal, mas mesmo não havendo imagino que minha postura continuaria sendo respeitosa. “existem formas e formas de se fazer…”, como bem frisou priscilla.

    um contraponto interessante é o fato de haver coberturas em que a exposição é total, mas nem por isso soa desrespeitosa. um bom exemplo disso é a denúncia de uma potencial pandemia de XDR-TB (um tipo de tuberculose resistente a medicamentos), documentada em vários lugares pobres do mundo pelo fotógrafo james nachtwey (ver este vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=cB69Fh6qdYw). acredito que as fotos despertam muito mais sensibilização do que constrangimento.

    a carreira de nachtwey, que acumula mais de 20 anos de experiência no registro de conflitos, rendeu inclusive o ótimo documentário “war photographer” (é possível baixá-lo via torrent). a certa altura, ele conta que às vezes se cria um pacto silencioso entre fotógrafo e fotografado; que quando o respeito é evidente as pessoas percebem (acho que foi o que ocorreu com priscilla) e de alguma forma entendem que o registro simboliza algo maior.

    quais são os limites? assim como vocês, também não sei. mas é importante alimentarmos sempre essa reflexão em nossos corações. seja abaixando a câmera ou fazendo a foto, acho que já estaremos trilhando o caminho certo se tomarmos a decisão considerando o respeito ao próximo.

  4. Pingback: A hora de abaixar a máquina | Foto Clube Cataratas do Iguaçu

  5. Marcello Orsi disse:

    Parabéns pelo texto e pela reflexão.

  6. Pingback: Diálogo #007 – Questões para o Fotojornalismo |

  7. Pingback: #Diálogo 66 – Nem mil imagens |

  8. mferryfotografia@gmail.com disse:

    Querida Priscila faço a Ronda Policial aqui na Folha faz tempo , ja passei por poucas e boas adoro o que faço , faço com prazer , com amor , tive uma matéria na Faculdade de Fotografia que chamava Piscologia da Imagem incrivel ela ja valeu pelo curso me ajudou muito , bem respondendo a pergunta , uma vez em um homicídio em Camaragibe Região Metropolita um homem matou a mulher por ciumes , quando cheguei o pai da vitima (a mulher morta) cheia de tiros no chão, chegou ao meu lado e disse: Meu filho pode fazer a foto , pode fazer o seu trabalho eu entendo ??? como o pai entende uma coisa assim ??? eu não entendi , baixei a camera , foi dificil aquele pai olhando pra mim e eu fotografando a filha dele no chão , tive que trazer a foto mais não dificil m belo texto parabéns bjs Maurício Ferry

  9. Baixar a câmera é apenas um ato simbólico. Vários outros comportamentos podem ser mais ofensivos do que o próprio ato de fotográfico, ainda que sob o manto do dever profissional. Certo mesmo é que o espaço do outro nem sempre é bem determinado, pois varia de pessoa para pessoa, em circunstâncias diversas. Assim o viver humano sempre ocorrerá um ultrapassar limites. As escolhas devem obedecer às bases morais e éticas de cada um, aceitando e assumindo todos os riscos pertinentes.

  10. Everaldo Vilela disse:

    Parabéns! Belíssimo texto. Sua reflexão foi extremamente espetacular! Aplausos para você.

  11. Pingback: Diálogo 67 – Nem mil imagens | 7 Fotografia

  12. Pingback: Questões para o Fotojornalismo | 7 Fotografia

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