4 respostas para Diálogo 29 – O photoshop e o mito da beleza

  1. Chico Peixoto disse:

    vejo isso, infelizmente, como algo consolidado – e irreversível também, se acharmos que a quebra de paradigmas na indústria da beleza depende apenas da mudança de postura das corporações. Muito provavelmente isso não vai ocorrer, pois há muito dinheiro em jogo.

    acho que a situação pode ficar menos alarmante quando a educação visual for de fato praticada em larga escala nas escolas e quando houver um verdadeiro movimento dos fotógrafos (e também de outros profissionais correlatos) envolvidos com a indústria da beleza, a fim de repensarem seus valores éticos e os padrões estéticos do ramo.

    Nos dois casos, imagino que seja necessário um esforço global.

  2. Eder Jules disse:

    Infelizmente a incompetência de alguns fotografos contribui ainda mais com isso, o advento da fotografia digital permite a um fotógrafo medíocre apresentar trabalhos manipulados muito acima da capacidade que ele teve de organizar luz e angulo corretos no momento da foto, é a banalização do tratamento de imagem.
    Sempre digo que esses não são fotógrafos, são ótimos manipuladores de imagem. Correç˜eos sempre houve na história da fotografia vemos isso aos montes, o problema está no exagero.

  3. joanafpires disse:

    Val, esse assunto é tão delicado, né? E tenho infinitos comentários a fazer porque pessoalmente sei o que é viver essa busca sem sentido para atender um padrão de beleza que jamais será alcançado e a insegurança consequente que isso nos provoca.
    Uma vez escrevi esse texto falando sobre manipulação da imagem e no quanto temos dificuldade de aceitar que não cumprimos com esses tipos estimulados pela mídia (http://luzsubversa.wordpress.com/2010/07/27/122/). Fiquei lembrando que, quando eu era adolescente, costumava desenhar algumas figuras no caderno – geralmente mulheres, magras e de cabelos cacheados – e a parte curiosa era que, cada vez que esses desenhos saíam um pouco do padrão, com mulheres com peito menor, ou mais caídos, ou pernas mais curtas ou mais longas, alguém sempre comentava que estava errado – como se aqueles corpos desenhados também tivessem que corresponder a essas expectativas. No flickr mesmo, uma vez, publiquei uma foto minha chorando e desconfortável e recebi alguns comentários de amigos incomodados, dizendo que não gostavam da imagem porque não parecia comigo – um eufemismo pra dizer que eu estava feia na foto.
    Mas existem casos interessantes e que percorrem a contramão desse processo. A revista Elle francesa foi uma das pioneiras em tratar a questão da beleza natural da mulher, com três capas de atrizes famosas sem maquiagem e sem retoques – e as fotos ficaram belíssimas (http://rainydayss.com/famosas-sem-maquiagem-na-elle/). A revista Glamour tem alguns exemplos de contestação a essa artificialização do corpo feminino. Numa determinada edição, levantaram esse debate perguntando: Are You Ready to Start a Body Image Revolution? (http://www.glamour.com/health-fitness/blogs/vitamin-g/2009/09/on-the-cl-are-you-ready-to-sta.html). Esse debate surgiu após eles terem publicado fotos da modelo Lizzie Miller com uma barriguinha saliente e bem humana (“Your body doesn’t deserve to be bashed!” http://www.glamour.com/sex-love-life/2009/08/what-everyone-but-you-sees-about-your-body?currentPage=1), discutindo a importância de “nos sentirmos confortáveis na nossa própria pele”. Algumas revistas brasileiras também têm demonstrado interesse na questão, mas ainda com abordagens muito tímidas (como a revista Cláudia, que publicou fotos recentes da jornalista Renata Ceribelli sem retoques: http://claudia.abril.com.br/blogs/noticias-da-redacao/tag/capa/).
    O que acho mais deprimente não é nem a tentativa das revistas e das propagandas de impor um modelo de beleza completamente desumano – os interesses mercadológicos sempre pautaram a publicidade e seu incentivo ao consumo através da ilusão. O que me angustia mesmo é ver que mulheres comuns valorizam esses padrões não apenas se submetendo a eles, mas questionando e ridicularizando qualquer tentativa de fuga que aparecer. Dá uma olhada nessa postagem: http://shampoodelaranja.com/2010/04/sem-photoshop-ok-mas-sem-make.html em que a blogueira se diz muito incomodada com as fotos de uma cantora sem maquiagem numa revista. Ela diz: “Se eu quiser ver gente sem maquiagem, com sua beleza ao natural, olho no espelho de manhã, olho para algumas meninas que pegam o ônibus comigo e vejo tudo isso. Adorei o ‘sem photoshop’, mas sem make na revista? NOT”. A pergunta é: mulher sem maquiagem não consegue ser bonita?

  4. Chico Peixoto disse:

    pode faltar photoshop, mas é inadmissível a falta de make? curioso esse comentário da blogueira. considerando o propósito, make não seria uma espécie de “photoshop analógico”?

    de qualquer forma, essa lógica não é apenas dela… é de um monte de gente que vem sendo induzida, por meio de uma propaganda muito agressiva, a não tolerar os próprios defeitos. a menina pergunta pro namorado “estou bonita?”, mas já sabemos que, na maioria dos casos, o bicho vai pegar se a resposta for “não”.

    e é bom deixar claro que esse fenômeno é tão incisivo que, há alguns anos, influencia também o comportamento masculino. posso citar, por exemplo, os metrossexuais e os emos. antes, qual era a pedida? homem musculoso, machão. hoje se valoriza garotos de perfil mais franzino, puxando pro andrógeno.

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