2 respostas para Diálogo 46 – Imagens-relicário ou sobre afeto, morte e fotografia*

  1. essa tua postagem faz o contraponto perfeito com o diálogo #44, escrito por pri. se lá ela chama nossa atenção prum lado mais cínico da fotografia, que com frequência nos envolve com um ambiente ilusório de ausência/presença e pode pode gerar incômodo a partir do momento que o percebemos, aqui você dá um delicado exemplo do porque esse ambiente é necessário. massa, val.

  2. Rodolfo Araújo disse:

    Esse contraponto fotográfico sempre me intriga – talvez por ter medo da morte e talvez também por trabalhar com “ela”, como já dizia Philippe Dubois em “O ato fotográfico”: “A fotografia executa a morte ao querer conservar a vida”. Como seu texto inicia Val é difícil sim falar da morte, mas como não questionar quando nesse caso(em específico) ela credita a fotografia como um meio de acariciar a memória? E creio que seja justamente isso, o “elo”, a fotografia se torna a referência como um “meio de transporte sentimental” entre o que partiu e os que ficaram e isso, leva a fotografia a uma nova realidade que possa condizer com a realidade dos que sentem saudade. Lendo seu texto resolvi comentar, também pelo assunto que me interessa mas por que envolvia um ator, um coletivo, o teatro, a morte e a fotografia e isso me fez lembrar o Teatro da Morte de Tadeuz kantor, que criou uma dramaturgia em cima da morte como uma condição da realidade fotográfica, um “elo” num período de pós-guerra. Então gostei muito de sua colocação, muito sensível e bem delicada como o próprio assunto já pede.
    Parabéns pelo texto!
    Encerrarei com um soneto(que abre o livro “DaguerreÓtipos”) de Marcus Accioly, um livro de sonetos muito bacana(muito mesmo!) em que fala sobre a morte de personalidades mundiais através de referências fotográficas.

    Dentro do teu caixão – câmara escura –
    só quero revelar a dor, soneto:
    negativo onde o mal se desfigura,
    retrato colorido em branco-e-preto.

    Sombra da imagem viva que remeto
    para – dentro da folha ou placa dura
    de prata e cobre em banho de iodeto –
    ser lida em tua hermética estrutura.

    Quero em catorze filmes dar à luz
    ao mal que leva o bem até a cruz,
    gritando, de loucura e de tristeza,

    da máscara-de-ferro do teu verso
    que – afivelada às faces do universo –
    revela e esconde o rosto da beleza.

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