Diário de Bordo – Foto em Pauta 2012 – Moradores e UaiPhone

Por Suelen Pessoa

A casa do Espaço Nitro recebeu as exposições “Os Chicos” e “Natureza Morta”, dos rapazes da Agência Nitro Imagens , mais um cômodo com um bureau de impressão fineart da Solução Imagem, uma cozinha super linda e bem decorada e um quintal enorme, onde estava mais uma exposição de fotos de natureza do pessoal da Agência e um espaço para assistir às projeções de imagens em uma tela branca adaptada na traseira de umas típicas charretes da cidade.

Espaço Nitro | Suelen Pessoa

Esposição “Os Chicos”, Agência Nitro | Suelen Pessoa

Projeto Moradores, Agência Nitro Imagens | Suelen Pessoa

Ali foram projetadas as imagens do projeto “Moradores – A humanidade do patrimônio histórico”, criação da agência junto com a produtora Alicate. Os autores do projeto (Marcus Desimoni, Bruno Magalhães, Gustavo Nolasco e Alexandre Baxter) falaram do que significa a “mineiridade”, povo mineiro e de como era importante destacar que o patrimônio maior do estado era a sua gente. Por isso eles resolveram fazer uma homenagem às pessoas que fazem da cidade de Tiradentes o reduto de hospitalidade que tanto atrai os turistas do mundo todo para suas ruas de pedra. Eles planejaram uma galeria de arte ambulante com os retratos das pessoas “passeando” pela cidade colados nas charretes que levam os turistas para conhecer os locais importantes.

Iphoneografia

Mas eu consegui chegar à tempo para a mesa “É possível fazer telefonemas com essa câmera?” sobre Iphoneography com o Cláudio Edinger, o Clício Barroso e o Toni Pires. Muitas questões muito interessantes sobre esse momento de transformação foram levantadas no debate durante a projeção do trabalho dos três fotógrafos feito com o Iphone. Foi feita uma análise aprofundada da situação atual, com prós e contras.

O Cláudio Edinger mostrou bastante coisa feita com seu telefone e com a 4×5, e apesar de serem equipamentos muito diferentes, o resultado que ele consegue é muito semelhante. O traço mais marcante do trabalho dele, e o uso do efeito tilt-shift nas imagens, e ele o faz tanto com o iphone quanto com a 4×5. O único problema que ele ainda não conseguiu solucionar é a impressão de qualidade em formatos grandes; citou o caso de um cliente que quis comprar uma imagem dele com mais de um metro de largura, mas não era possível porque a imagem escolhida havia sido feita com o iphone…

Claudio Edinger, Toni Pires, Clicio Barroso + Projeto UaiPhone | Rodrigo Lima/Agência Nitro

Quanto a essa questão de impressão, o Clicio Barroso (especialista em gerenciamento de cores e impressão de arquivos) lembrou que é muito importante que o fotógrafo imprima suas imagens, mesmo as feitas através de aplicativos do iphone, como o Instagram. O hábito (ou a falta dele) de fotografar e imprimir traz uma angustia para muita gente que já nasceu imerso nas possibilidades do fotografar-postar gratuitamente, mas que a imagem não se resolve se ficar somente no ar. Ela tem que virar objeto. O Claudio ainda pegou carona nesse assunto e fez uma reflexão de que a fotografia não impressa se parece com o cinema: depois de passado o momento de fruição, acabou. Não é um objeto que se pode possuir.

O Toni Pires mostrou o trabalho da cobertura do São Paulo Fashion Week (SPFW) feito com dois iphones. Ele queria uma cobertura menos invasiva, mais orgânica, como um observador que não interfere tanto no que está acontecendo. Um fotojornalista com uma câmera acaba interferindo muito na cena, e um repórter com um celular acaba incomodando menos, o que é super importante para captar a expressão mais neutra e natural das pessoas como ele queria. Também contou que teve algumas dificuldades, tanto de limitação do equipamento quanto de “credibilidade” junto ao staff do SPFW, como os seguranças que ficavam perguntando onde estava o equipamento dele e tentando o impedir de entrar por achar que ele ela uma pessoa “comum”.

Outras questões também foram suscitadas, como a parafernalia criada em torno do iPhone, com lentes, tripés, steadcams, etc. Os participantes da mesa concordaram que é importante manter a funcionalidade do equipamento sem, contudo, perder a mobilidade, pois é disso que é feita a iphoneography. No momento das perguntas abertas para o público, alguém levantou uma questão a se pensar, sobre se há um paralelo entre o que a Polaroid significou há algum tempo em intenção de registro do cotidiano, e o que é hoje a Iphoneography, mas com o plus timing: rapidez de compartilhamento (Instagram). O Clício fez um adendo de que agora ficou mais aparente a carência das pessoas, no que ele chamou de “indústria de likes”, na qual uma pessoa comenta uma foto apenas para pedir um “like” na foto dela também.

Além dessa discussão, aconteceream exposições, projeções de imagens e workshops com esse tema da iphoneography. O pessoal do UaiPhone fez a cobertura de tudo, claro, através dos Iphones (filmando e fotografando). Várias coisas podem ser vistas aqui e pelo Instagram. Para saber mais do projeto dos iphoneógrafos mineiros, veja o vídeo da projeção do pessoal do UaiPhone no festival do ano passado:

Sobre 7 Fotografia

Fotografia estudos discussões
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2 respostas para Diário de Bordo – Foto em Pauta 2012 – Moradores e UaiPhone

  1. fotoescambo disse:

    A Suelen trocou foto no Escambo também!!!

  2. Suelen Pessoa disse:

    Sim! E até conheci o Felipe da scarlae.com que deixou um comentário no outro post! =)

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