18 respostas para Diálogo 55 – Alfabetização visual ou dialogando com imagens

  1. Uma vez recebi o conselho de produzir a imagem antes da fotografia, antes de fotografar. Achei muito interessante a idéia e pensei muito no assunto. O que seria então “produzir a imagem” nesse contexto? Seria o avesso dessa leitura?

    Belo texto, bela inquietude me deu.
    abraço
    .

    • bellavalle disse:

      Que bom que inquietou, Marco! Me sinto compartilhando algo que me toca! =)
      Bem, acho que produzir imagem não é o avesso da leitura, mas, pelo contrário, a primeira leitura possível, que permite uma concretização da imagem.
      Tu concordas?

  2. reuelalmeida disse:

    Já programei a compra dos dois livros citados. Muito bom o texto!

  3. Meu professor certa vez falou sobre a linguagem da fotografia e como devemos aprendemos a entendê-la, como se fosse uma língua verbal mesmo como o português.

  4. bellavalle disse:

    Acho que aprender a “ler” (seja verbo ou imagem) exige uma educação que vai além do que o bê-a-bá proporciona. Não dá pra ensinar a ler, mas dá pra tentar fornecer algumas ferramentas para isso. Para mim, repertório histórico, consciência crítica e disponibilidade para análise são as coisas que devem ser “ensinadas” de fato. Afinal, de que adianta ler um livro ou experimentar uma imagem, se não nos colocamos neles ou se não percebemos o que se tenta colocar neles, né?

  5. Ronaldo Entler disse:

    Oi Bella, suas ponderações são ótimas: se é para falar em “leitura de imagem” ou “alfabetização visual” é preciso resgatar a complexidade desses termos. Potencialmente, toda leitura é uma conversa que envolve muitas vozes, e que não tem fim. Por isso é que a gente pode “ficar olhando pra sempre” para algumas fotos. Essa “matéria”, quando passa a ter existência simbólica, quando se torna uma imagem, assume vida própria. Daí que, enquanto lemos uma imagem, descobrimos às vezes que somos lidos por ela, que outros olhares e outros tempos também nos pensam através dela. Parabéns pelo texto, vou indicar.

    • bellavalle disse:

      Entler, é uma honra tê-lo aqui acompanhando nosso blog! Obrigada pelo comentário e pela indicação do texto. A complexidade que envolve uma leitura realmente não tem fim. São tantas camadas sobrepostas e tantos nós em rede que fica difícil ensinar alguém os códigos necessários à leitura uma imagem, né? Exatamente por isso a gente “Olha para sempre”, porque o olhar se transforma ao longo dessa “eternidade” toda. E toda imagem carrega em si uma série de olhares também. Obrigada por refletir com a gente!

  6. Ana Lira disse:

    Bella

    Eu não vou conseguir lembrar de toda a coisa bonita que eu escrevi para responder a esse teu diálogo, mas vamos lá: o seu conceito de alfabetização me inquieta muito. A sua reflexão acerca da fotografia é muito interessante, mas o que você chama de alfabetizar aqui está associado a um conceito que não se sustenta mais no campo da educação e muito menos de maneira tão restrita. A ideia de que alfabetizar é ensinar um bê-a-bá de alguma coisa.

    Por isso, além de não poder usar este mesmo conceito que reduzia o sentido de alfabetizar ao de aprender a juntar as letras para compor palavras e frases, ele não pode ser interpretado da mesma maneira diante de uma linguagem que é outra. Tanto a orientação quanto o aprendizado ocorrem de outras formas. Talvez, você precise migrar um pouco para os contextos específicos da área de educação – se for do seu interesse – para compreender melhor o que eu estou dizendo.

    É possível, sim, conduzir um processo de orientação de leitura de imagem. Tanto você quanto eu conseguirmos olhar tantas coisas para sempre, nas fotos que analisamos, porque passamos, várias vezes, pelo contato com diversas pessoas que nos deram pistas, referências e peças que nos proporcionaram novos caminhos de percepção sobre as imagens que víamos.

    Essa construção não se deu sozinha. Além disso, não consigo pensar em educação crítica sem refletir no que significa “educar criticamente” dentro de diversos contextos sociais, econômicos, políticos, filosóficos, entre outros. Vamos ser educados criticamente a partir de quais referenciais? Quem determina? O que é aplicar os códigos adequados nos momentos adequados? Quais são os códigos adequados?

    A própria ideia de crítica pressupõe termos como selecionar, contextualizar e assumir determinados valores. Ela mesma é uma forma de “alfabetizar”, mas os seus códigos são muito mais complexos e por isso acreditamos que eles estão distantes da ideia do “aprender a ler”.

    Achei bacana a discussão, mas acho que é preciso trilhar um pouco por outros caminhos para compreender outras dimensões do que significa a proposta da alfabetização visual. Ela vai bem mais longe do que esta impressão mais restrita do bê-a-bá que nos ensinaram na infância.

    • bellavalle disse:

      Aninha, vou tentar responder o teu comentário a altura das questões que você traz, tá?

      Vamos lá:

      Eu não trago nenhum conceito de alfabetização, flor, exatamente por eu achar esse termo associado demais a um método de aprendizagem da língua (complexo, sim, claro, mas que não sinto que dá conta do que quero falar quando falo de uma “leitura das imagens”).

      Eu não trago a ideia de que alfabetizar é ensinar bê-a-bá. Eu a questiono. Se, no começo, eu assumo um preconceito inicial: “Como alfabetizar alguém para ler uma fotografia? Isso não seria limitador? Bê-a-bá para ler fotografia me assusta! É como se padronizássemos códigos que, na verdade, são fluidos. Mas talvez um certo preconceito contra a leitura das palavras tenha falado mais alto…”. Logo depois, eu desconstruo completamente essa ideia: “desde quando ser “alfabetizado verbalmente” nos faz partilhar uma leitura comum de um livro, por exemplo?”

      Tentei deixar sempre clara a complexidade que é qualquer processo de leitura e interpretação. Será que eu não consegui me expressar bem?

      Sei, claro, como educadora que sou, que tanto a orientação quanto o “aprendizado” ocorrem de outras formas com as imagens. Porém, essa questão não é o foco do meu texto. Quero falar da complexidade do processo de ler uma imagem e não de métodos de ensino para essas leituras. É um texto sobre interpretação e referências simbólicas, por isso não sinto necessidade aqui (talvez em um desdobramento em outro #diálogo) de entrar em referências específicas da área de educação. Neste caso aqui, o viés da semiótica é que está em foco (mesmo os autores que cito nem sendo intitulados de semioticistas…).

      Quero discutir com esse texto a rede de significações e não métodos de aprendizados. Quero dizer que não se ensina ninguém a ler nada do jeito que lemos, porque simplesmente ninguém fará as mesmas conexões que cada um de nós. Seja texto ou seja imagem. Algumas bagagens são, podem e devem ser compartilhadas, claro, (arquétipos, história, memórias, línguas), mas elas são constantemente vistas a partir do filtro da experiência de cada um.

      Claro que é possível conduzir um processo de orientação de leitura de imagem. Eu não nego isso e até afirmo. Manguel faz isso constantemente no livro dele que cito e é lindo descobrir vários mundos a partir do olhar do autor. Nosso Olhando pra sempre é isso, como eu mesma digo no texto: “Aprender a ler imagens não é ser “alfabetizado”, mas saber reconhecer os símbolos que nelas se colocam (principalmente por nós mesmos). É esse exercício que nos propomos aqui no blog do 7, com o Olhando Pra Sempre.”.

      E quando eu digo que não é ser alfabetizado é sem preconceito nenhum contra a alfabetização, mas apenas afirmando que o código linguístico que se aprende ao ser alfabetizado é apenas um dos que entram no jogo da leitura e da interpretação (tanto de um texto como de uma imagem – como texto que é).

      Você está dizendo o mesmo que eu quando diz que não consegue pensar em educação crítica sem refletir no que significa “educar criticamente” dentro de diversos contextos sociais, econômicos, políticos, filosóficos, entre outros. É exatamente isso que eu digo: educar envolve muito mais do que alfabetizar. E educação visual não é nada que deve ser tratado como disciplina específica, pois é apenas um dos viéses naturais de aplicação e interpretação que uma educação crítica como o todo pode ser aplicada.

      Jogo todas essas perguntas como reflexão no texto. Não quero dar respostas sobre referenciais, poder, valores e códigos adequados. Porque qualquer resposta que eu der será apenas a minha postura interpretativa diante do mundo, a partir da minha bagagem. E não é a proposta do meu texto agora (já fiz – e faço – isso em outros textos daqui mesmo).

      Selecionar, contextualizar e assumir determinados valores acontece naturalmente o tempo inteiro por todo mundo, seja criticamente ou não. Devemos é somar repertório, ler histórias, ouvir depoimentos, estudar, somar diferentes opiniões e pontos de vista para entendermos os nossos.

      Concordo que podemos trilhar por outros caminhos para compreender outras dimensões do que significa a proposta da alfabetização visual. A dimensão que assumo aqui é a do ponto de vista semiótico. Apenas espero que esteja claro que não tenho nenhuma impressão restrita sobre alfabetização. Mas confesso que acho difícil que ela possa se aplicar às imagens sem que caiamos em um direcionamento tolo de opiniões (valores e ideologias) já formadas por nós mesmos, antes mesmo de permitir que os “ensinados” criem suas próprias interpretações do mundo. Mas, já diria Aristóteles, qual a melhor forma de começar a aprender do que imitando, não é mesmo? Depois de ver e adotar bem muito a opinião dos outros, bem que começamos a percebermos as nossas mesmas….

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