9 respostas para Diálogo 58 – Sobre o ensino e a aprendizagem da fotografia

  1. mateus sá disse:

    Alguém disse que o analfabeto do futuro será aquele que não souber ler imagens. Penso que mais do que técnica um curso como o de Fotografia possa nos alfabetizar para esse mundo das imagens no qual estamos vivendo. A meu ver essa percepção faz toda a diferença na hora de pensarmos sobre a imagem e o papel que ela tem assumido no mundo contemporâneo. Claro que para executarmos determinadas funções a técnica é fundamental, mas pensar na fotografia apenas nesse viés é ser, no mínimo, superficial. Acredito no ensino que abre portas, nos faz enxergar além. Vejo o curso de fotografia, assim como outros que trabalham a imagem, como cursos que podem possibilitar uma compreensão ampla sobre o mundo que vivemos atualmente. E fico feliz em saber que pessoas como vocês do 7 vem refletindo sobre isso. Parabéns pelo nível de reflexão estimulado por vocês. Abração!!! Mateus Sá.

    • Val Lima disse:

      Obrigada, Mateus! Observo que tudo isso é uma grande troca, podemos aprender a ler imagens e, consequentemente, ler o nosso mundo contemporâneo. Mas também percebo que ainda não exploramos todo o potencial que a fotografia carrega em si no campo da educação. Acho que além de aprender a ler imagens, podemos nos educar através da fotografia. E concordo completamente com você, ensino precisa abrir portas e nos fazer enxergar além. Um outro abraço!

  2. Alex Villegas disse:

    É uma missão difícil por natureza, visto que o dito “mercado de trabalho”, além das escolas e dos próprios alunos – felizmente apenas em uma primeira instância – pedem sem sutileza nenhuma por uma abordagem tecnicista e pragmática. As publicações sobre fotografia também pouco contribuem para que a coisa evolua.

    Mas há esperanças; e acredito que com trabalho árduo por parte de professores – nem que o conteúdo mais humanista e voltado ao processo criativo seja “contrabandeado” em meio aos conteúdos programáticos – a coisa deve virar, com uma geração de fotógrafos formada com maior cuidado. É um momento importante para a educação fotográfica, porque os modelos usados atualmente estão entrando em colapso. Cabe aproveitar a oportunidade.

    • Val Lima disse:

      Oi Alex, bom tê-lo por aqui! É um trabalho difícil sim, não só pela forma como o mercado lida com essas questões, mas também pela situação da educação em nosso país. E apesar de todas as dificuldades, a fotografia é uma área privilegiada. Espero que nós possamos aproveitar todas essas transformações para mudar. Eu também acredito que ainda há esperanças.

  3. Virgilio disse:

    Achei muito interessante o texto e concordo com os comentários feitos pelo Mateus e Alex.
    Sempre acreditei na educação como meio contribuitivo de se formar indivíduos/profissionais pensantes.
    Posso falar com toda segurança que a maioria das pessoas que procuram um curso superior em fotografia sentem-se atraídos por duas coisas: a atividade em si. invariavelmente estes candidatos a fotógrafo gostam de fotografia e, em segunda instância, buscam o imediatismo, o que pode ser muito perigoso.
    Percebo professores dos cursos superiores de fotografia empenhados em repassar o “pensar fotográfico”, enquanto boa parte dos alunos estão ali para se tornarem tecnicistas, executores, ou até mesmo podemos chamar de copiadores do que já é largamente produzido.
    Como já foi dito, é algo complexo e certamente precisa ser redirecionado.
    Vale toda uma reflexão e discussão sobre o tema.

  4. bellavalle disse:

    Obrigada, pessoal, pelos comentários. Val, teu texto me lembra muitas das discussões que a gente já teve sobre o nível mais fundamental da educação mesmo. Não só das faculdades, não só dos cursos de fotografia, mas da própria escola. Pensar que fotografia está no cotidiano de praticamente todas as pessoas, como destacou Mateus, seja fotografando, seja recebendo/consumindo fotografias de todas as formas. Ensino e aprendizagem de fotografia não é só para fotógrafos, pode ser uma ferramenta incrível de terapia, de cidadania, de afetividade, de troca, de integração e comunicação. Sabemos o quanto são importantes iniciativas como a de Ripper, no RJ, ou ao da Histórias de Alice, que citei num #plataforma recentemente, e a de outros projetos tão importantes – como os que conhecemos bem aqui no Recife (Fotolibras, Coque Vive, etc). Enfim, ser educador em fotografia exige um bocado de conhecimento (técnico também), mas exige mais ainda o interesse de buscar mais, de estimular as pessoas a ir além, de desconstruir e reconstruir coletivamente metodologias, de experimentar formas novas de ensino e troca. Quanto mais fotógrafos entrarem nessa ideia de somar, mais a fotografia ganha como linguagem, como arte e, também, em dignidade e valores humanos. Obrigada!

  5. Ana Lira disse:

    Oi Val!
    Acho que as pessoas comentaram mais ou menos outros caminhos que poderiam permear o universo da formação em fotografia. Eu teria várias coisas a comentar, mas o cansaço deste momento me impede de reflexões mais elaboradas. O que eu queria chamar atenção no teu texto é para dois conceitos:

    a) o conceito de modelo – o “modelo tecnicista” talvez não se diferencie do “modelo que formem pessoas” se eles forem construídos dentro deste parâmetro óbvio de modelar. O modelo tecnicista também forma pessoas, mas o seu foco é que desconsidera outras possibilidades para a fotografia. Acho que o nosso incômodo deveria ser voltado, também, para a própria ideia de modelo, porque ele nem sempre considera contextos temporais, espaciais, culturais e a dinâmica de cada região ou comunidade. Acho que seria mais adequado falar em construir referenciais, projetos de educação que tragam linhas mestras de discussão e possam ser articulados de acordo com a realidade de quem está produzindo.

    b) a ideia de “professores capacitados”. Isso me incomoda porque parte da mesma filosofia que rege a ideia de modelo. É possível capacitar alguém para dialogar sobre poética? Sobre linguagem fotográfica? Sobre a fotografia como um processo social? Se eu quiser que Isabella Valle seja professora de estética no próximo semestre, mesmo que eu a envie para fazer um curso intensivo em Nova Iorque, eu vou poder capacitá-la em dois meses? Acho pouco provável, porque esse é um campo que requer contínua pesquisa e alimentação (isso mesmo, alimentação) – principalmente de referências e vivências fora da fotografia.

    Então, eu não sei se o termo adequado seria capacitação.

    Um outro detalhe que precisamos considerar: nem todo fotógrafo é professor e tem muita gente entrando no campo da educação em fotografia sem pensar na responsabilidade de trabalhar com formação. Eu vejo as pessoas aceitando darem disciplinas apenas porque foram convidadas para o cargo e precisam pagar as contas. No momento em que isso ocorre, o processo educativo já está comprometido, mas não podemos impedir ninguém de buscar a própria sobrevivência. O que podemos é incentivar quem se envolveu com a área a observar estes outros caminhos e procurar investir no processo formativo, independente da garantia do contra-cheque de cada mês.

  6. Pablo Takatsu disse:

    Achei incrível você ter questionado: Mas que fotografia é essa que está sendo ensinada em nosso país?
    Demorei 5 anos exatamente para decidir se iria cursar ou não fotografia. Entrei na faculdade esse ano e nunca me questionei sobre isso. Mas sem dúvida, ao meu ver, é necessário um tempo a mais de nós mesmos para o aprendizado da imagem, para a reflexão dela. Achei que só a técnica era necessária, mas vi, dentro da faculdade, que existe muito mais além do que eu imaginava.
    Se não tivesse optado pelo bacharel, não saberia do que sei agora, a respeito desse objeto ambíguo, duplo, que representa o real e que tem parte de um fragmento do mundo em si mesma, sendo representada pela pessoa que a registrou. Não posso reclamar da instituição que estudo, já que está me dando uma base muito firme sobre a fotografia, e óbvio que exige tempo, mesmo a fotografia não ser tão antiga assim (n. em 1839) e ter evoluída tão rapidamente com a tecnologia.
    E mesmo estando lá, sei que meus estudos não podem se basear só no curso em si, como você mesma disse, mas também a leitura dos livros, a visitas em exposições fotográficas e a discussões como esta, para sabermos qual o rumo da nossa fotografia. Fico imensamente feliz de ter encontrado esse blog, que trata das questões que busco, que trata daquilo que é a raíz da fotografia: o pensar; e que me faz sair da minha “zona de conforto mental e digital” e me ajuda a refletir mais sobre as dúvidas que tenho 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s