Plataforma – Moving Walls

Moving Walls é a exposição anual de fotografia documental produzida pela Open Society Foundations, com curadoria de Susan Meiselas e Stuart Alexander, através do Projeto de Fotografia Documental.  Desde a sua criação, em 1998, já participaram mais de 170 artistas cujos trabalhos abordam uma grande variedade de temas que versam sobre justiça social e direitos humanos, áreas em que atua a Open Society, Fundação criada pelo filantropo George Soros, que possui escritórios em mais de 100 países, entre EUA, Europa, Ásia, África, Haiti e Jordânia.

Segundo a curadora, uma das idealizadoras da exposição e renomada fotógrafa da Agência Magnum,  Susan Meiselas, a ideia nasceu num momento em que a comunidade de fotografia documental enfrentava grandes dificuldades, com o espaço em revistas e jornais diminuindo e as galerias já não mais interessadas ​​em mostrar esse tipo de trabalho de documentário social. Para eles a questão era: como apoiar esta comunidade, e cultivar e envolver um público espectador para a fotografia documental?

Fernando Moleres

Prisão de Pademba. Freetown, Serra Leoa, fevereiro de 2010. Peter é um dos oficiais que escoltas prisioneiros ao tribunal. A cada manhã, dezenas dos 1.300 homens e meninos detidos na prisão de Pademba são levados a tribunal. Muitos deles vão várias vezes antes de receberem a sentença. Um dos rapazes afirma que foi ao tribunal mais de 50 vezes | Fernando Moleres.

Fernando Moleres

Prisão de Pademba. Freetown, Serra Leoa, agosto de 2010. Homens tomando banho no pátio central da prisão | Fernando Moleres.

Moving Walls surgiu como uma oportunidade para os fotógrafos documentais terem espaço para mostrarem seus trabalhos em exposições anuais exibidas nos escritórios da Open Society em Nova York e Washigton, EUA. Apresentando aos espectadores algumas das grandes problemáticas sociais de nosso mundo a partir dos olhares de excelentes fotógrafos de todas as partes, que podem submeter livremente seus trabalhos à curadoria através do próprio site. Além disso, para aqueles que não podem ir aos EUA para verem a exposição, a galeria no site mostra todos os trabalhos premiados nas 20 edições, oferecendo um material incrível de extrema qualidade, pertinência e importância histórica, política e social.

Yuri Kozyrev/NOOR

Sitra, Bahrein, 18 de março de 2011. Cinco mil pessoas reuniram-se no funeral de Ahmed Farhan, um jovem manifestante anti-governo que foi morto pelas forças de segurança do Estado, em Sitra. Mais cedo naquele dia, o rei do Bahrein, Hamad bin Isa al-Khalifa, declarou a proibição de manifestações e protestos. No entanto, milhares de pessoas de luto assistiram ao funeral em apoio a família de Farhan | Yuri Kozyrev/NOOR.

Yuri Kozyrev/NOOR

Cairo, Egito, 18 de junho de 2012. Muçulmanos comemoram na Praça Tahrir a vitória do candidato Mohamed Morsi na eleição presidencial | Yuri Kozyrev/NOOR.

Em 2013, Moving Walls 20 exibe o trabalho de 05 fotógrafos: Yuri Kozyrev (Noor) em sua documentação sobre as revoltas e protestos do mundo árabe no trabalho On Revolution Road, Ian Teh mostra o impacto do crescimento econômico da China no Rio Amarelo, com o ensaio Traces: Landscapes in Transition on the Yellow River Basin. Katharina Hesse combina paisagens e retratos ao documentar os refugiados norte-coreanos que tentam cruzar a fronteira para a China, em Borderland: North Korean Refugees. Fernando Moleres retrata o confinamento de jovens e meninos em uma prisão para adultos em Serra Leoa, no seu Juveniles Waiting for Justice, e Donald Weber apresenta imagens dos interrogatórios policiais na Ucrânia, em Interrogations.

Katharina Hesse

China, outubro de 2003. Kim Jeong-Ya (nome fictício), 67 anos, vive perto da fronteira norte-coreana em Yanji, China. Pertence a um grupo de ativistas chineses que têm dedicado suas vidas para ajudar os norte-coreanos a fazerem uma passagem segura da Coreia do Norte à Coreia do Sul, via China. A maioria dos ativistas estrangeiros são expulsos da China ou enfrentam punição severa se forem pegos participando de missões de assistência. Kim foi presa duas vezes e espancada por agentes norte-coreanos que operam na China. Desde a sua libertação da prisão Kim tem estado sob intensa vigilância policial. Suas escassas economias foram confiscadas pelas autoridades locais e ela não tem permissão para sair de casa | Katharina Hesse.

Katharina Hesse

China, outubro de 2008. A linha oficial de demarcação entre a China e a Coréia do Norte, em Yanji, que facilita o comércio na fronteira, mas é também usado como um dos canais de repatriação para refugiados capturados na China | Katharina Hesse.

Os trabalhos de Moving Walls 20 nos mostram questões sociais urgentes: um mundo em plena transformação, como no trabalho de Yuri Kozyrev sobre as revoltas árabes, e, ao mesmo tempo, cenários que se repetem ao longo dos tempos, como as condições degradantes dos sistemas carcerários, retratadas no trabalho de Fernando Moleres. Visitar a exposição ou vaguear pelas galerias do site do Moving Walls não será uma tarefa descontraída. Através da fotografia, sempre implacável no seu papel de ferramenta que nos leva a conhecer outros espaços (distantes física e geograficamente, ou não), nos deparamos com as realidades de outros países e comunidades, vemos as semelhanças (e quantas!) e diferenças, os avanços e retrocessos, questões urgentes e gritantes, outras adormecidas, talvez. Mas todas muito duras e fortes. Levando-nos a pensar, por exemplo, até onde governos muçulmanos, comunistas, capitalistas e/ou democráticos são iguais. Os temas mostrados nesta edição da exposição me parecem tão familiares… São retratos da nossa sociedade que trazem à tona tantas questões importantes e proporcionam a oportunidade de reflexão e debate acerca das temáticas levantadas.

Donald Weber

Sala de interrogatório. Ucrânia, março de 2011. A cadeira é a derradeira arma no arsenal do interrogador. Ela pode ser utilizada para manipular e controlar o suspeito e definir o equilíbrio de energia no interior da sala | Donald Weber.

Donald Weber

Sala de interrogatório. Ucrânia, março de 2010. Um adolescente, há duas semanas de completar 16 anos, é transportado para interrogatório por um detetive da polícia local. Para humilhá-lo o detetive escreveu “débil” em sua testa | Donald Weber

Exposição Moving Walls 20: de 08 de maio a 13 de dezembro de 2013. Open Society Foundations – NY. 224 West 57th Street. New York, NY. EUA.

Sobre Maíra Gamarra

Maíra Gamarra é alagoana, com um pé na Bolívia. Turismóloga, fotógrafa (com bacharelado em Fotografia) e produtora. Vive e fotografa por amor, para aprender e conhecer, ter múltiplas experiências e estar em contato com o mundo em toda a sua diversidade.
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