Plataforma – Membranas de Luz

Foto Val Lima

Foto Val Lima

A primeira vez que folheei o livro Membranas de Luz, de Patrícia Gouvêa, fiquei intrigada, tanto com a carta, reproduzida logo no início do livro, quanto com as citações que abrem o volume. O que tinha a ver o conceito de membranas de luz, que nos concebe como seres permeáveis que comungam com a inteireza do cosmo, do mestre Paramahansa Yogananda, com a fotografia?

Tentei entender, por exemplo, que relação a autora estabelecia entre as imagens e o tempo na contemporaneidade com algo tão pessoal, como a carta recebida de uma amiga que descrevia sua relação com a morte de um parente e a casa de sua infância.

Ao longo de suas 104 páginas, Patrícia, nos convida a percorrer a História da Arte, da Filosofia e da Física e das relações que estas estabelecem com a imagem, o tempo e a nossa própria experiência de mundo. De leitura fácil e gostosa, o livro é uma tessitura sobre estas questões no cinema e nas artes visuais e se apropria esteticamente da noção de tempo, pinçada do campo da Biologia.

Imagens Posteriores | Foto Patrícia Gouvêa

Imagens Posteriores | Foto Patrícia Gouvêa

Pensando determinadas imagens como membranas, a autora explica que elas são capazes de inaugurar experiências, fabricarem e fazerem surgir mundos. A sensação que tenho é que, ao longo do texto, o texto nos leva a viver a experiência de ser uma membrana de luz, permeável e capaz se de fundir com uma imagem, e aos poucos vai nos libertando de um conceito convencional de tempo linear, e nos conduz a uma profunda reflexão sobre a potência que essas imagens carregam para transformar e ressignificar os clichês que invadem nosso cotidiano.

Para tanto, ela nos oferece o trabalho de vários artistas, como Alice Miceli (do meu último olhando pra sempre) e Abbas Kiarostami, e a maneira como eles negociam as inter-subjetividades contemporâneas, quebrando a ideia de um tempo aprisionado e nos revelando as possibilidades de uma imagem viva e em fluxo que nos proporciona a experiência de duração de nos falava Bergson.

Imagens Posteriores | Foto Patrícia Gouvêa

Imagens Posteriores | Foto Patrícia Gouvêa

Entre tantas possibilidades e reflexões, Patrícia Gouvêa apresenta seu ensaio Imagens Posteriores, quase como o verso de Antonio Machado: Caminante no hay camino Se hace camino al andar.

Boa leitura!

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