Autografia – Fernanda Mafra

O #Autografia dessa semana traz um texto lindo da fotógrafa pernambucana Fernanda Mafra (que já passou por aqui em um Flickrweek).

O que você fotografa? E o que você gosta de fotografar?

Resolvi juntar as duas perguntas por que atualmente eu fotografo apenas o que gosto de fotografar.

Minha relação com a fotografia começou dentro de casa, – não sei exatamente em que parte da vida, se no final da infância ou no começo da adolescência – meu avô e minha mãe sempre gostaram muito de fotografar, e os álbuns de família, de viagens, sempre tiveram lugar garantido nos armários. Acabei criando o hábito de (re)visitar sempre esses álbuns, sejam os que eu fazia parte ou os que eu ainda nem sonhava em nascer. Viajava nas memórias e nas lembranças que eu não vivi. E do hábito surgiu o apego e o prazer pela imagem fotográfica.

Fernanda Mafra

Fernanda Mafra

Daí em diante resolvi que queria aprender a fotografar. Tinha em casa uma câmera herdada da minha mãe que era mais velha do que eu e achava isso genial. Depois das primeiras experiências com a tal câmera, percebi que queria fazer isso a sério, como gente grande.

Fernanda Mafra

Fernanda Mafra

Entrei no bacharelado de fotografia sem nem saber o que era diafragma, iso e todos os outros termos bem conhecidos entre nós, e quis tirar o atraso: entender das lentes, das luzes, dos ângulos… até da caixa preta de Flusser. Fotojornalismo pra lá, moda e publicidade pra cá… etc ad infinitum… Não demorei a perceber que o apego à técnica, ao certo e nunca ao “errado” não serviam pra mim. (Respeito muito quem ama e vive disso, mas não deu pra mim). Me sentia mais à vontade ao usar a fotografia de forma leve, descompromissada, como suporte e discurso das minhas obsessões diárias e recorrentes.

Fernanda Mafra

Fernanda Mafra

Fotografar temas caros a mim mesma, questionar e sugerir pontos de vista a outras pessoas, transformar a correria do dia a dia em poesia (ih, até rimou! rs) me remete ao meu encantamento inicial que os álbuns da casa dos meus avós me transmitiram (e ainda transmitem). Gosto da ideia de estar construindo os meus próprios álbuns… “de família”, de viagens, de conceitos, de insignificâncias, e de estar bagunçando e construindo minhas memórias de um jeito leve e muito particular.

Fernanda Mafra é do Recife, tem 23 anos e vive num relacionamento instável com a fotografia. Participou de exposições coletivas no Recife (Arte Plural Galeria, Santander Cultural) e em Porto Alegre (“Caixas Pretas Sobre Cubo Branco” – Espaço Mário Quintana), e de projeções no Paraty em Foco de 2009 e 2011. Ano passado fez sua primeira exposição individual (“A positivo”) no Espaço Peligro, também no Recife. Hoje vive em São Paulo e trabalha com produção cultural.

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